MEDICINA NATURAL - SABERES ANCESTRAIS
O conceito de Medicina Natural, na atualidade, assenta num conjunto de princípios, métodos e raciocínios modernos aplicados a conhecimentos de Sabedoria Ancestral e que, de forma coerente, permitem a ligação entre a saúde e a doença.

O pai da Medicina Ocidental, o médico e filósofo grego Hipócrates, tinha como princípio, que o homem é uma parte integral do cosmos e só a natureza pode tratar seus males, que as causas da doença eram naturais – e não punições divinas como se acreditava até então – e defendia que o equilíbrio e a saúde do corpo estão diretamente ligados ao ambiente em que vivemos.
Essa mesma frase voltou a soar atual nos últimos anos, ao mesmo tempo em que ocorre uma popularização dos métodos alternativos à mesma medicina ocidental que Hipócrates fundou.
A partir do século XVII, quando as ideias do filósofo René Descartes começaram a influenciar a ciência, os tratamentos médicos passaram a ver o corpo humano como uma máquina em que cada parte tinha uma função específica e independente. Independentemente deste novo conceito, o elemento químico foi considerado e o desenvolvimento das Indústrias permitiram que este mercado obtivesse a sua expansão.
Na atualidade, a ciência devolve não só o conceito da intrínseca relação entre a mente e corpo como base de uma saúde integral, princípio da OMS (*), como também procura encontrar na natureza a cura através dos medicamentos naturais e das chamadas Medicinas Complementares ou Alternativas.
Na verdade, a Medicina Ocidental Ortodoxa continua a desempenhar um papel sólido nas sociedades, mas a aliança entre o desenvolvimento e a Ancestralidade, poderá constituir a nova Medicina para o futuro.
Da Ancestralidade, podemos resgatar o conhecimento da medicina natural atribuída à Natureza, a utilização dos elementos como o Ar, Fogo, Terra e Água para o equilíbrio físico, psicológico, emocional e energético, e ao processo de autoconhecimento que as “novas terapias” teorizam, visando o equilíbrio Transpessoal.
Do conhecimento Ancestral, que perdurou em alguns povos durante séculos, surge o Xamanismo e a Medicina Xamânica, cujo princípio retorna à natureza como o elemento de cura. No contexto Xamânico sobre a saúde / doença, encontramos o princípio do poder pessoal como causa da vulnerabilidade energética, permitindo assim doença.
A doença, como é concebida no sentido moderno, é vista como algo que penetra de fora para dentro, sendo atribuindo ao elemento externo a causa. No sistema Xamânico, o problema básico não é o elemento externo, mas a perda de poder pessoal que permitiu a invasão, seja de uma flecha, seja de um mau espírito, etc.
Deste modo, o tratamento xamânico para todas as enfermidades, dá ênfase em primeiro lugar, ao aumento do poder pessoal da pessoa que está doente, e em segundo lugar se ao poder do agente que produziu a doença. Assim, com base neste principio, as chamadas causas externas primárias das doenças tais como: vírus, bactérias e outros elementos invisíveis no meio ambiente, só constituem ameaça à saúde quando a camada protetora natural de uma pessoa se encontra ou desenvolve fragilidade.
A função de qualquer sistema de saúde, está essencialmente vinculada às convicções filosóficas sobre a finalidade da própria vida. Para as culturas xamânicas, esta finalidade é o desenvolvimento espiritual. A saúde é estar em harmonia com o mundo e o Todo.
Para os Xamãs, ser saudável é uma perceção do Universo Uma e indivisível e a saúde é comunicar com animais, plantas, estrelas e minerais. É conhecer a morte e a vida, e não ver nelas diferença. É misturar e fundir, alquimizando energias e caminhos de vida.
Ao contrário das noções mais “modernas”, na sociedade xamânica a saúde “não significa sentir nada”, nem significa ausência de dor. O sentido, é procurar em todas as experiências da Criação o propósito da existência, mesmo nas mais dolorosas. É alcançar o sentido da aceitação e o caminho para o Amor, expandindo-se para além do próprio estado de consciência e conectar-se às altas vibrações do Universo.
(*) - Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.
Site Organização Mundial de Saúde: OMS
Ana Margarida Carvalho
